ÿþ<HTML><HEAD><TITLE>35º Conbravet - Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária</TITLE><link rel=STYLESHEET type=text/css href=css.css></HEAD><BODY aLink=#ff0000 bgColor=#FFFFFF leftMargin=0 link=#000000 text=#000000 topMargin=0 vLink=#000000 marginheight=0 marginwidth=0><table align=center width=700 cellpadding=0 cellspacing=0><tr><td align=left bgcolor=#cccccc valign=top width=550><font face=arial size=2><strong><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=3><font size=1>35º Conbravet - Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária</font></font></strong><font face=Verdana size=1><b><br></b></font><font face=Verdana, Arial,Helvetica, sans-serif size=1><strong> </strong></font></font></td><td align=right bgcolor=#cccccc valign=top width=150><font face=arial size=2><strong><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=1><font size=1>ResumoID:10.1299-1</font></em></font></strong></font></td></tr><tr><td colspan=2><br><br><table align=center width=700><tr><td>AREA: <b>Eqüinos: Clínica, Cirurgia e Reproduçao</b><p align=justify><strong>PITIOSE EQÜINA NO SUL DO BRASIL  RELATO DE CASO</strong></p><p align=justify><b><u>Luiz Antonio Scotti </u></b> (<i>Universidade Luterana do Brasil</i>)<br><br></p><b><font size=2>Resumo</font></b><p align=justify class=tres><font size=2>PITIOSE EQÜINA NO SUL DO BRASIL  RELATO DE CASO *SCOTTI, L. A. ; FACIN, F. C. 2; OLIVEIRA, M. B. 2; SÁ, G. C. 2 RESUMO Causada pelo Straminipila, Pythium insidiosum a pitiose é uma enfermidade que acomete o tecido subcutâneo de eqüinos, podendo também afetar humanos, porém não é relatada transmissão direta entre estas espécies. A pitiose é uma patologia piogranulomatosa que esta ligada a permanência em campos alagadiços, várzeas, banhados e lagos. A enfermidade caracteriza-se principalmente pelo desenvolvimento de lesões subcutâneas ulcerativas e granulomatosas de aparência tumoral. O tratamento clínico é inviável, pois o agente causal difere dos fungos não sendo atacado pelos antifúngicos usuais. Os princípios ativos que agem sobre o agente etiológico da pitiose são em demasia tóxicos aos eqüinos, inviabilizando sua utilização. O diagnóstico precoce é fundamental para um prognóstico reservado A excisão cirúrgica é o tratamento mais indicado, porém muitas vezes ocorrem recidivas. O prognóstico é diretamente proporcional ao tempo de infecção, tamanho da lesão e porção afetada. PALAVRAS CHAVE: Pitiose, Pythium insidiosum, piogranuloma, diagnóstico precoce, tratamento cirúrgico, recidivas. INTRODUÇÃO Segundo Santurio et al (2006), a pitiose eqüina é uma enfermidade que compromete o sistema tegumentar levando a formação de lesões piogranulomatosas. Tais lesões acometem, tipicamente, áreas ventrais do corpo, incluindo membros, tórax e abdome. O tecido nasal também pode ser envolvido. Normalmente a infecção pelo Pythium insidiosum esta associada a longos períodos de permanência em terrenos alagadiços e quebra da continuidade do tegumento, uma vez que o P insidiosum compromete pele e tecido subcutâneo. No Brasil vários casos vêm sendo diagnosticados e descritos. Anteriormente era classificado de fungo, o P insidiosum é comum a regiões tropicais, subtropicais e temperadas; estendendo-se desde a costa do golfo dos Estados Unidos a América do Sul e Austrália. Casos foram descritos na Europa, Sudeste Asiático e recentemente na África (STEFHEN, 2000). Para Santurio et al (2006) no Brasil, a pitiose foi descrita em diversas espécies. A primeira descrição de pitiose eqüina ocorreu no Rio Grande do Sul, e desde lá mais de noventa casos já foram descritos. Estes relatos comprovam que a doença acomete cavalos de todo o país. O objetivo desta revisão é abordar aspectos etiológicos, transmissão, fatores predisponentes, sintomas, diagnóstico, diagnóstico diferencial, achados laboratoriais, tratamento e prognóstico, contribuindo desta forma com a atualização profissional. Demonstrando a importância de resolução cirúrgica nos casos de pitiose eqüina. Professor de Ética e Bem-estar Animal  ULBRA. 2 Acadêmicos de Medicina Veterinária  ULBRA. DESENVOLVIMENTO O Pythium insidiosum, a partir de estudos detalhados sobre classificação filogenética e análises moleculares, pertence ao Reino Straminipila. Tal reino surge devido a divisão dos fungos em três reinos: Fungui, Straminilipila e Protista. O gênero Pytium pertence ao filo Oomycota. Este gênero possui mais de cento e vinte espécies distribuídas em todo o planeta, sendo na maioria habitantes de solos e patógenos de plantas. Algumas espécies estão sendo estudadas no controle de fungos e larvas de mosquitos. A espécie Pythium insidiosum é a única conhecida como patógeno de mamíferos (QUINN ET AL, 2005) Segundo Santurio et al (2006), inicialmente, não há predisposição por sexo, idade ou raça. A infecção é adquirida quando eqüinos permanecem em áreas alagadiças ou pantanosas. A perda de solução de continuidade da pele, causada por arranhões, cortes e feridas perfurantes predispõe animais que vivem a campo, em áreas úmidas. Pode ocorrer infecção de humanos, contudo não há relatos de transmissão direta entre animais e o homem. Para que ocorra a infecção o animal deve entrar em contato com o zoósporo do Pythium insidiosum. Para a produção desta forma infectante são necessárias temperaturas entre 30 a 40°C e acúmulo de água nas pastagens, banhados e lagoas. No geral os casos de pitiose são observados após estações chuvosas. Sustenta-se a teoria de que a infecção ocorre pela atração causada pelo eqüino ao zoósporo, os quais germinam a partir de uma lesão inicial. Entretanto a detecção de hifas em folículos pilosos de bovinos pode questionar a necessidade de lesão inicial para que possa ocorrer a germinação do zoósporo. Não existe uma região mais afetada, porém em sendo o Pantanal uma planície inundável de aproximadamente cento e quarenta mil quilômetros quadrados e possuindo, em torno de cento e trinta e nove mil setecentos e sessenta eqüinos, acredita-se seria um problema a criação de eqüinos (STEFHEN, 2000). A doença chamada de hifomicose, zigomicose, dermatite granular,  bursattee  Florida leenches , granuloma ficomicótico e  swamp cancer inicia com a produção de um tubo germinativo com o contato do agente com uma ferida. São então secretadas enzimas proteolíticas que penetram ativamente nos tecidos permitindo a penetração do zoósporo. Os primeiros sinais de infecção são minúsculos focos simples ou múltiplos de necrose que evoluem muito rapidamente e se desenvolvem a massas granulomatosas ulcerativas circulares com corrimento serosanguinolento. Estas lesões ulcerativas de bordas irregulares e de aparência tumoral possuem hifas recobertas de tecido necrótico. Esta massa de pigmentação branco-amarelada tem aspecto de coral e são denominadas  kunkers . Os  kunkers têm diâmetro e formas irregulares. O tamanho da lesão é diretamente proporcional ao tempo de infecção (SATURNINO ET AL, 2006). Segundo o autor supracitado, essas massas são intensamente pruriginosas e freqüentemente hemorrágicas por autotraumatismo. A mutilação ocorre devido o intenso prurido, na tentativa de aliviar o desconforto da lesão. Na grande maioria dos casos as lesões são focais, contudo o aparecimento multifocal não pode ser descartado. No caso de lesão em membros, a claudicação é um sinal freqüente. Em estágios mais graves pode haver a disseminação para órgãos internos, levando a infecção generalizada. Para Stefhen (2000) a anemia e a hipoprotinemia são sinais secundários aparentes frente a perda de sangue e exudatos pela massa. Em alguns casos a lesão pode ser recobertas de pele escura e grossa. Tais lesões atípicas não causam perda de estado corporal acentuado. Em alguns casos, mais graves, pode ocorrer o envolvimento intestinal, predispondo a episódios de cólica devido à presença de massas que obstruem e diminuem o lúmen intestinal e até ulcerações da mucosa intestinal. Em casos de lesão cutânea persistente em membros, podem ocorrer lesões ósseas. A característica da lesão é de osteólise e osteomielite. Casos de deslocamento por via linfática já foram descritos. Apenas três casos foram detectados em linfonodos inguinais. Para o diagnóstico de pitiose deve-se basear-se na anamnese, aspectos clínicos, histopatológicos e a identificação do agente. O diagnóstico definitivo requer biópsia. Achados comuns incluem inflamação piogranulomatosa com grandes quantidades de eosinófilos. Também podem ser observadas ninfas de 2,6 a 6,4 centímetros de diâmetro, paredes espeças e aspecto irregular. O agente causal da pitiose, ainda, pode crescer em meio de cultivo fúngico. O procedimento requer incubação em meio de ágar em extrato vegetal. O laboratório deve estar familiarizado com as técnicas adequadas de isolamento (BAGGOT, 1996). Ocasionalmente pode ser realizado o exame citológico da massa. O tumor deve ser retirado e lavado em solução salina. A massa é macerada, colocada em lâmina de microscopia e incubado durante a noite em uma mistura de hidróxido de potássio a 10% e tintura de Nanquim. As hifas coram de preto e apresentam amplas estruturas ramificadas. Já existem provas sorológicas para o diagnóstico de pitiose. Os pesquisadores desenvolveram técnicas de imunodifusão em ágar gel, fixação do complemento e teste de hipersensibilidade. Nos estudos a imunodifusão apresentou alta sensibilidade e especificidade para detecção de anticorpos anti Pythium insidiosum (STEFHEN, 2000). De acordo com o autor supracitado, a pitiose pode ser confundida com outras tumorações. É bastante difícil diferenciar de Habronemose cutânea, Tecido de granulação exuberante, Granuloma bacteriano, e Carcinoma de células escamosas invasivas. Complementando, por apresentar diferenças aos fungos verdadeiros o tratamento da pitiose torna-se complicado. O Pythium insidiosum produz zoósporos móveis de parede celular a base de celulose e &#1759;&#1759;&#946;-glucanas, enquanto os fungos tem parede celular de quitina. Como a membrana plasmática do Pythium insidiosum não possui esteróides, não é atingida por antifúngicos. Normalmente os fitopatógenos são sensíveis aos inseticidas utilizados em pastagens, contudo estas drogas não podem ser utilizadas em animais devido seu alto poder toxicológico. Segundo Santurio et al (2006), o tratamento tradicional de pitiose eqüina é a intervenção cirúrgica, mas o sucesso do tratamento é dependente da duração, tamanho da lesão e igualmente dificultado pela localização da lesão. A cirurgia geralmente é eficaz em casos de lesões pequenas e superficiais, onde toda a área afetada pode ser retirada. O autor supracitado cita que a anfoterencina B sistêmica combinada com a anfoterencina B tópica pode ser curativa em raros casos isolados. A anfoterencina B é administrada na dose de 0,3 mg/kg em glicose a 5%, endovenosa, diariamente até uma dosagem total de 350 mg.Esta dose é então administrada em dias alternados até o animal estar curado. Além disso, as lesões são tratadas topicamente com compressas de gase embebida em uma solução de anfoterencina B e dimetilsufoxido (DMSO) na dosagem de 50 mg de anfoterencina B, 10ml de solução estéril e 10ml de DMSO. A anfoterencina B também pode ser injetada nas lesões. A contra-indicação da anfoterencina B é sua nefrotoxicidade, logo as concentrações de creatinina sérica e nitrogênio uréico sérico; bem como a hidratação deve ser controlada diariamente. O prognóstico é ruim, pois todo o tratamento é muito difícil. Se a doença for diagnosticada precocemente, pode ser possível excisão cirúrgica. As recidivas são comuns, requerendo-se excisão repetida. Os locais cirúrgicos devem ser controlados rigorosamente para evidência de recidivas. O prognóstico esta diretamente relacionado ao tempo, local e tamanho da lesão (KIRSTENSEM & FELDMAN, 1996) No dia, 06 de novembro de 2007, deu entrada no Hospital Veterinário da Ulbra, um eqüino da raça crioula, com idade de 1,9 anos. Com queixa principal de que a 4 meses o animal contem um tumor na região abdominal, e tratou com medicamentos antifúngicos, utilizou no local da lesão por um mês. O animal encontrava-se a campo, a 30 dias e recebeu dosificação de vermífugo. Na anamnese o proprietário informou que o animal estava parasitado por sanguessugas pré-lesão e estava sendo mantido em campo alagadiço de várzea. Os achados clínicos anormais encontrados foram à lesão tumoral por pitiose de aproximadamente 30 cm de diâmetro da região ventral, na linha alta retro-umbilical. No dia 09/11/2007, foi encaminhada para fazer remoção cirúrgica com ampla margem de segurança, em incisão elíptica com diâmetro maior de aproximadamente 45 cm. No pós operatório foi realizada limpeza da lesão e aplicação de pomada a base de tetraciclina. No dia 10/11/2007 aplicação intramuscular de 50 ml de suspensão de penicilinas e estreptomicina, mais antiinflamatório a base de flunixim meglumine na dosagem de 10 ml endovenoso, com limpeza da ferida cirúrgica e aplicação de spray cicatrizante e repelente. O tratamento seguiu por dez dias sendo aplicado óxido de zinco no dia 13/11/2007. Recebeu alta médica no dia 19/11/2007, retornando dia 20/02/2008 para reconsulta, onde consta fechamento de quase a totalidade da ferida cirúrgica. CONCLUSÃO Com o estudo do caso e pesquisa bibliográfica podemos concluir que a pitiose é uma importante patologia em forma de tumoração que acomete os eqüinos. O conhecimento do agente etiológico, de suas características epidemiológicas e estruturais é importantíssimo. O prognóstico é reservado e diretamente relacionado ao local da lesão. Então, com excisão cirúrgica precoce e ampla podemos reverter um prognóstico de ruim a reservado. É importante que o médico veterinário tenha o conhecimento da possibilidade de recidivas e das possibilidades terapêuticas associadas. Ainda é importantíssimo lembrar que as diferenças entre os Pythium insidiosum e demais fungos impossibilita o tratamento com antifúngicos tradicionais e o tratamento com agrotóxicos é perigoso por seus altos índices de toxicidade. BIBLIOGRAFIA ADAMS, H. R. Farmacologia e Terapêutica em Veterinária. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003. ANDRADE, S. F. Manual de Terapêutica Veterinária. São Paulo: Roca LTDA, 2002. BAGGOT, D. J. Medicamentos Antibióticos. In:ETTINGER, S. J. Tratado de Medicina Interna Veterinária. São Paulo: Manole, 1996. BAUER, T.;WOODFIELD, J. A. Afecções Mediastinais, Pleurais e Extrapleurais. In: ETTINGER, S. J. e FELDMAN, E. C. Tratado de Medicina Interna Veterinária. São Paulo: Manole, 2004. BEUCHAMP, P. R.; EVERS, B. M.; MATTOX, K. 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